VITOR ZAPA, na Galeria Vieira Portuense de 20 de Abril a 11 de Maio. Largo dos Lóios, 50 4050-338 Porto.
terça-feira, 26 de março de 2013
Texto Catálogo por Alberto d'Assumpção
INQUIETAÇÃO
“O verdadeiro revolucionário é
aquele que liberta o mundo e o torna a prender, para lhe dar uma nova
oportunidade de vida… É a estes criadores que o universo deve a sua existência
e a sua forma através dos séculos”
Jean Bazaine
Não
foi de todo inocente a escolha destas palavras deste pintor da Escola de Paris
para abrir a nossa singela reflexão sobre a obra de Vitor Zapa, pois me parece
que elas encerram em síntese o admirável processo criativo do pintor.
Torna-se
complicado, em poucas palavras, destrinçar o complexo mundo de Vitor Zapa. Mais
inútil ainda encerrá-lo numa corrente ou escola. Como muitos artistas de forte
personalidade, Vitor Zapa está muito para lá de qualquer catalogação. E a sua
arte muito para lá do próprio artista.
Basta-nos
percorrer os olhos pela história da arte ocidental – desde Bosch, por exemplo –
para encontrar um certo fio condutor que nos conduza ao universo fantástico
deste pintor. Mas é sobretudo em certos artistas do Expressionismo alemão que a
nossa atenção se fixa mais demoradamente.
Muito
se tem dito e questionado sobre este complexo e altamente abrangente movimento
estético do início do séc. XX, e que alguns questionam inclusive a própria legitimidade
como movimento artístico. O que é certo é que nele vemos entroncar a Bauhaus,
essa extraordinária escola de arte que moldou todo o séc. XX, bem como
Kandinsky, que dele partiu para a aventura abstracta, e Klee, a quem a
experiência tunisina com Moilliet e Macke marcará de forma radical,
trazendo-lhe a revelação da cor. No seio deste movimento vamos encontrar
artistas como Ensor e Munch, cuja sátira social e ironia nos serviriam ao nosso
propósito, ou Groz e Otto Dix, mais envolvidos com a causa social e a luta
política, bem como os pacifistas Meidner e Feininger, empenhados em devolver a
paz social pela harmonia e pela arte. Mas é sobretudo o intrigante Max Beckmann
quem mais nos surge na memória ao observar as obras de Vitor Zapa. Deste artista,
que no pós-guerra abandona os cenários de declínio social para se centrar no
indivíduo, na sua situação, na sua impotência e abandono num mundo cruel e
violento – e que por isso se recusa simultaneamente a todas as generalizações
ideológicas, ao contrário de Groz e Dix -, chama-nos a atenção uma obra
singular, “A Noite”, obra inquietante que carece ainda de uma interpretação
séria por parte da crítica. Nela, a violência, o caos e o sofrimento do povo
ganham forma. A perspectiva parece quebrada e distorcida. As linhas e
superfícies extremamente nítidas e claras da composição e a luz irreal acentuam
a expressão de violência que domina a obra sem que o artista pretenda com isso
acentuar o ocasional acto violento - um assalto - que o motiva (parece-nos
estar a descrever um qualquer quadro de Vitor Zapa…). Nesta obra, as metáforas
pessoais de Beckmann misturam-se com os símbolos tradicionais da História da
Arte, transformando-a numa metáfora para o mistério de toda a humanidade.
Estão
lançadas assim, parece-me, as premissas para uma compreensão da pintura
fantástica de Vitor Zapa. O pintor parece querer desenrolar as suas metáforas
de histórias pessoais e da História no palco de um “teatro mundial”, em que se
converte cada uma das suas telas. Esta permanente sátira do quotidiano, irónica
ou denunciante, propõe uma visão para lá da simples crítica ou revolta social.
O Artista parece oferecer “um universo alternativo – como muito bem refere Luiz
Morgadinho numa nota crítica sobre o pintor – onde se mesclam paixões e medos”.
A sua missão existencial parece ser dar ao homem um retrato do seu destino.
Terminada a catarse, permanece o quadro: uma superfície plana, plena de
harmonia e inquietação…
Termino
esta breve reflexão com mais uma citação. É de Marcel Gromaire, numa entrevista
de 1950: “O Expressionismo moderno não se concebe sem um gosto frequentemente
mórbido da deformação. Nega o estilo em proveito da estilização instintiva. Os
melhores quadros expressionistas são gritos desesperados. Quanto melhores são,
menos analisáveis.” …
Guimarães,
Abril de 2013
Alberto
D’Assumpção
sábado, 23 de março de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
terça-feira, 19 de março de 2013
Inês Núncio sobre Vitor Zapa
Vitor Zapa, nasceu em Angola-Luanda, em 1958.
Fez o 6º ano de escolaridade em Angola, mostrando sempre tendência
para o desenho e trabalhos manuais.
Em 1974 dá-se a revolução de 25 de Abril, e vem para Lisboa com 15
anos de idade.
Opta por não seguir os estudos e começa a trabalhar a servir caracóis e
imperiais num típico estabelecimento da grande Lisboa... e desenhando em todos
os papeis sempre que surje um momento...
Em 1982 compra material de pintura pela primeira vez e entra nesse
mundo. Avançou da aguarela que pintava na escola para a pintura a pastel...de
seguida veio a pintura a óleo, e por fim, foi ao acrílico que se rendeu...E não
mais parou...até aos dias de hoje em que tem 52 anos de idade...
Sempre pinta...em telas, em cerâmicas, madeiras, discos, pedras...e
todo o material que mereça uma pintura sua...
Em 1984 começa a trabalhar na montagem das luzes de grandes
espétaculos de boa música portuguesa acontecidos em terras lusas nos anos 80.
Acompanhou de perto as famosas digressões de bandas como os Xutos e pontapés,
Jorge Palma...Sempre dedicando o devido tempo à sua pintura, que foi o que
sempre relamente o realizou...
Já fez varias exposições em Portugal e em Espanha...Esteve algum tempo
no centro do país, mas nos dias de hoje, é o Norte que mais usufrui dos seus
trabalhos.
Zapa está assim nesta vida...Pintando como um louco....!!!!
E assim, em poucas palavras está apresentado o meu grande Amigo, Vitor
Zapa...Mas seriam precisas muitas mais palavras para descrever o meu amigo
Vitor Zapa...
Desfrutem da sua Pintura...
Inês Núncio
Alberto D'Assumpção sobre Vitor Zapa
"A obra de Vitor Zapa, na sua lucidez contagiante, alimentando-se
da sátira existencial, arranca ao quotidiano toda a sua carga trágica e
burlesca transmutando-a, qual alquimista, num vibrante mundo de fantasia e
imaginação"
Alberto D´Assumpção
Luíz Morgadinho sobre Vitor Zapa
Na pintura de Vitor Zapa, entro numa espiral vertiginosa
de cor, onde o inconformismo da actualidade se mistura com o desejo de viver o
passado. A ausência das leis da proporção e gravidade produzem a existência de
um vórtice desalinhado e retorcido, uma orgia burlesca e musical. Esta
incongruência é um universo alternativo ao quotidiano, onde se mesclam: paixões
e medos. Neste turbilhão surreal, transbordante de ironia e narrativas
oníricas, encontro um mundo fantástico.
Luiz Morgadinho
Operário Plástico
2012-01-12
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
CURRICULUM VITAE
26/11/1958 Data <de Nascimento
Nacionalidade Portuguesa <
Angolana NATURALIDADE <
Pintor Autodidacta
EXPOSIÇÕES:
Datas 2012> Expôs na Backstage
Escola de Dança-Braga - de 30 de Novembro a 21 de Dezembro.
Datas 2012> Expôs no Teatro
Malaposta-Odivelas, Olival de Basto. De 6 de Novembro a 2 de Dezembro.
Datas 2012> Expôs na Galeria
Lucilia Guimarães-(Colectiva)-Guimarães. De 3 de Novembro a 30 de Novembro.
Datas 2012> Expôs no Cusp em
Braga de 8 de Setembro a 8 de Outubro.
Datas 2012> Expôs na Santa Casa
da Misericordia de Guimarâes -(Colectiva)-Sete Mundos no Mundo da Arte - de 20
de Julho a 25 Agosto.
Datas 2012> Expôs na Casa das
Artes - Arcos de Valdevez - de 5 de julho a 23 julho.
Datas 2012> Expôs na Galeria
Artur Bual – (Colectiva)- C. M. Amadora - de 28 de junho a 5 de Agosto.
Datas 2012> Expôs na Abadia
D`Art - Braga - de 18 Maio a 30 de Junho.
Datas 2012> Expôs na Galeria
Perlim Pimpim - Aveiro - de 14 Abril a 4 de Maio.
Datas 2012> Expôs na Galeria da
Revista Novos Talentos - Montijo - de 10 de Março a 14 Abril.
Datas 2012> Participa na Arte
Fantástica e surrealismo - Casa Roque Gameiro - Amadora - de 28 Jan. a 18 Fev.
Datas 2011> Participa na XVII
GaleriAAberta-Beja de 12 Nov. a 30 Dez.
Datas 2011> Participa no I
Encontro de Artes Lusófonas-Galeria Art3-Rio Tinto de 5 Nov.2011 a 4 Jan.2012
Datas 2011> Expôs numa exposição
colectiva com Victor Lages
no Club Residencial de
S.Miguel-Lisboa de 2 Nov.a 26 Nov.
Datas 2011> Inaugura um Mural e
Exposição - Backstage Escola de Dança-Braga De 30 Out.a 30 Nov.
Datas 2011> Participa no Salão
Internacional de Arte do Alto Alentejo-Sousel De 8 Out.a 20 Nov.
Datas 2011> Participa na Feira
de arte contemporânea da Amadora de 7 a 10 Set.
Datas 2011> Expôs no Centro
Cultural Braga Viva - Braga - de 5 Agosto a 10 Setembro
Datas 2011> Expôs no Space Feng
Shui - Braga - de 15 Junho a 21 Julho
Datas 2011> Expôs no Restaurante
o Lago - Braga - de 7 Junho a 31 Julho
Datas 2011> Expôs na Casa Velha
- Braga - 15 Abril a 15 de Maio
Datas 2011> Expôs no Feng Shui -
Porto - 5 Março a 12 Abril
Datas 2011> Expôs no Espaço
cultural de s.Francisco-Alcochete- de 22 Jan. a 12 Fev.
Datas 2011> Expôs no Estaleiro
cultural Velha a Branca - Braga - 21 Jan. a 9 Fev.
Datas 2011> Expôs no Space Feng
Shui - Braga - de 8 Jan. a 8 Fev.
Datas 2010> Expôs no
restaurante-Tempos Gourmet - Braga - 3 Setembro a 30 Setembro.
Datas 2010> Expôs na Torre de
Menagem - em Braga-1 a 30 Abril .
Datas 2010> Expôs no ArtClub- em
Oliveira de Azeméis-15 Março a 30 Março.
Datas 2009> Expôs no Jazz Bar -
Bom Jesus - em Braga - 25 Junho.
Datas 2009> Expôs no Restaurante
O Barca em Braga - 3 Junho a 22 Junho.
Datas 2009> Expôs no Ginásio Gin
Tonico - em Braga -1 Junho a Junho 20.
Datas 2008> Participou num
Evento mensal no Jardim da Estrela - Estrela Pinta.
Datas 2008> Expôs no Bar- Inda a
noite é uma criança - em Lisboa -11 de Setembro .
Datas 2007> Expôs na Caja de
Badajoz em Badajoz,Entre 16 e 28 de Fevereiro.
Datas 2006> Expôs no restaurante
O Frango Dourado em Carcavelos.
Datas 2005> Expôs no restaurante
O Frango Dourado em Carcavelos.
Datas 2004> Expõs no Pavilhão
Polivalente da Câmara Municipal de Odivelas.
Datas 2003> Expôs no Bar
Restaurante Ponto Final na Povoa de stº Adrião.
Datas 2003> Expôs no Padock Café
em Loures.
Datas 2000> Expôs no Teatro
Malaposta numa exposição colectiva do CAT Loures.
"Sangue com Rosto Humano"
Acrílico s/ tela
60x100 cm
Nota: Obra exposta no "3.º Encontro Internacional de Arte Ao Redor do Touro", no Ecomuseu de Montalegre
60x100 cm
Nota: Obra exposta no "3.º Encontro Internacional de Arte Ao Redor do Touro", no Ecomuseu de Montalegre
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